A Importância de Analisar o Perfil do Cliente nos contratos de Locação de Veículos: Uso Urbano, Misto e Severo
- Carla Cheab

- 7 de jan.
- 3 min de leitura
Na locação de veículos, o erro mais comum não está no preço “baixo” ou “alto”, mas no preço errado para o perfil errado. Tratar todos os contratos como se o uso do veículo fosse homogêneo é uma das principais causas de perda de margem, distorção de custos e prejuízo oculto ao longo do ciclo do ativo.
O perfil de uso do cliente — urbano, misto ou severo — impacta diretamente depreciação, manutenção, risco, valor residual e consumo de capital. Ignorar essa variável é comprometer a sustentabilidade financeira da operação dos contratos de locação de veículos.
1. Perfil de Uso Não É Detalhe Operacional, É Variável Econômica
Cada perfil de uso gera uma dinâmica completamente diferente de custos e desgaste:
Uso urbano:
baixa quilometragem média mensal,
maior incidência de pequenos danos,
desgaste elevado de embreagem, freios e suspensão,
maior exposição a sinistros leves e avarias estéticas.
Uso misto (urbano + rodoviário):
quilometragem moderada,
desgaste mais equilibrado dos componentes,
melhor eficiência operacional,
comportamento mais previsível do TCO.
Uso severo:
alta quilometragem,
operação em vias não pavimentadas ou cargas elevadas,
manutenção corretiva frequente,
impacto acelerado na depreciação e no valor residual.
Essas diferenças afetam diretamente o custo real do contrato e precisam estar refletidas na precificação desde o início.
2. O Impacto Direto no TCO (Total Cost of Ownership)
O TCO varia significativamente conforme o perfil de uso. Um contrato de uso severo pode ter um custo total até 40% superior ao de um uso urbano, dependendo do veículo e do ciclo contratado.
Os principais componentes impactados são:
manutenção preventiva e corretiva,
pneus e componentes de desgaste rápido,
consumo de combustível (quando aplicável),
sinistros e avarias,
tempo de parada do veículo,
custo de substituição e reserva técnica.
Quando a locadora não diferencia o TCO por perfil, ela subsidia contratos mais agressivos com margens geradas pelos contratos mais leves — um modelo financeiramente insustentável.
3. Valor Residual: Onde o Erro Fica Mais Caro
O valor residual é o ponto mais sensível da análise por perfil de uso. Veículos submetidos a uso severo ou urbano intenso:
têm menor liquidez no remarketing,
sofrem maior desvalorização estética e mecânica,
exigem maiores custos de preparação para revenda,
apresentam maior dispersão de preços no mercado secundário.
Quando o perfil não é corretamente classificado, o valor residual projetado se distancia da realidade, gerando perdas significativas no encerramento do contrato.
4. Perfil de Uso e Risco Econômico do Contrato
Além dos custos diretos, o perfil de uso altera o risco econômico da operação. Contratos de uso severo apresentam:
maior risco de quebra de componente crítico,
maior volatilidade de custos,
maior dependência de manutenção corretiva,
menor previsibilidade de margem.
Isso exige não apenas ajuste de preço, mas também prêmio de risco na precificação, algo que raramente é considerado em modelos simplificados.
5. Precificação Correta Exige Segmentação de Perfil
Precificar corretamente significa:
definir diárias ou mensalidades diferentes por perfil de uso,
ajustar limites de quilometragem,
modelar manutenção conforme severidade,
revisar prazos de contrato e ciclos de renovação,
aplicar políticas distintas de devolução e cobrança de avarias.
Sem essa segmentação, a locadora perde controle sobre a rentabilidade individual de cada contrato.
6. Dados e Tecnologia Como Base da Classificação
A análise de perfil não pode depender apenas da percepção comercial. Ela precisa ser sustentada por dados como:
histórico de uso por cliente,
telemetria e conectividade da frota,
registros de manutenção,
padrões de devolução,
comportamento de quilometragem real versus contratada.
Ferramentas especializadas permitem classificar, acompanhar e ajustar o perfil ao longo do contrato, protegendo margem e evitando surpresas financeiras.
7. O Papel da LocPrice na Precificação dos contratos de locação de veículos por Perfil de Uso
A proposta da LocPrice é justamente transformar o perfil de uso em variável central da precificação. Ao integrar TCO, risco, ciclo do ativo e valor residual, a locadora consegue:
precificar com precisão técnica,
proteger margem por contrato,
reduzir subsídios cruzados,
tomar decisões baseadas em dados,
crescer com previsibilidade e segurança.
Perfil de Uso Define Margem, Não Apenas Operação
Na locação de veículos, não existe preço certo sem perfil certo. Uso urbano, misto e severo representam realidades econômicas distintas e exigem modelos de precificação igualmente distintos.
Locadoras que dominam essa análise deixam de competir apenas por preço e passam a competir por inteligência. É essa maturidade que sustenta margens, preserva capital e diferencia operações profissionais no longo prazo.



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