O Que Muda Quando a Precificação Deixa de Ser Intuitiva e Passa a Ser Analítica
- Carla Cheab

- 15 de jan.
- 3 min de leitura
Durante muitos anos, a precificação na locação de veículos foi conduzida majoritariamente com base em experiência, feeling de mercado e comparação com concorrentes. Embora a intuição tenha seu valor, ela se torna insuficiente em um setor cada vez mais capital intensivo, tecnológico e exposto a variáveis complexas. Quando a precificação deixa de ser intuitiva e passa a ser analítica, a mudança não é apenas operacional — ela é estrutural e estratégica.
Essa transição redefine como a locadora protege margem, aloca capital e toma decisões de crescimento.
1. Da Intuição ao Método: Uma Mudança de Paradigma
A precificação intuitiva costuma se apoiar em referências como:
histórico pessoal de negociação,
tabelas genéricas,
preços de concorrentes,
ajustes pontuais de markup,
percepção subjetiva de risco.
Esse modelo pode funcionar em ambientes estáveis, com baixa volatilidade e menor complexidade. No cenário atual — com juros elevados, rápida evolução tecnológica, pressão por eficiência e maior exigência dos clientes — ele se torna arriscado.
A precificação analítica, por outro lado, se baseia em:
dados estruturados,
modelos financeiros consistentes,
simulação de cenários,
análise de risco e retorno,
integração entre custo, capital e valor residual.
2. O Impacto Direto na Margem e no Retorno sobre o Capital
Uma das maiores diferenças entre os dois modelos está na previsibilidade do resultado econômico. A precificação intuitiva tende a gerar margens inconsistentes: alguns contratos performam bem, enquanto outros consomem valor sem que isso seja percebido imediatamente.
Já a precificação analítica permite:
definir margem mínima sustentável;
identificar contratos que não remuneram o capital,
evitar crescimento que destrói valor.
A locadora passa a entender exatamente quanto ganha, quando ganha e por quê.
3. TCO Como Pilar da Precificação Analítica
Na precificação analítica, o TCO (Total Cost of Ownership) deixa de ser uma estimativa genérica e passa a ser um modelo detalhado, ajustado por:
tipo de veículo,
perfil de uso (urbano, misto ou severo),
quilometragem contratada,
histórico de manutenção.
Essa granularidade elimina subsídios cruzados e revela contratos estruturalmente deficitários que, no modelo intuitivo, passariam despercebidos.
4. Valor Residual: De Suposição a Variável Estratégica
No modelo intuitivo, o valor residual muitas vezes é tratado como uma média histórica. Na precificação analítica, ele se torna uma variável crítica, modelada com base em:
dados de mercado secundário,
liquidez por modelo e motorização,
tendências tecnológicas,
cenário econômico e regulatório,
tempo real de giro no remarketing.
Essa mudança reduz surpresas no encerramento dos contratos e protege o resultado final.
5. Decisões Mais Rápidas e Mais Seguras
Um paradoxo comum é achar que análise torna o processo mais lento. Na prática, acontece o oposto. Quando os modelos estão bem estruturados, a precificação analítica:
reduz o lead time de resposta,
facilita simulações rápidas,
padroniza critérios de aprovação,
diminui retrabalho.
O ganho de velocidade vem da eliminação da incerteza.
6. Precificação Analítica Muda a Relação com o Comercial
Com dados claros, a discussão deixa de ser “quanto podemos baixar o preço” e passa a ser:
qual risco estamos assumindo,
qual margem mínima precisamos preservar,
onde podemos ajustar prazo ou escopo,
quando não faz sentido competir.
Isso profissionaliza a negociação e fortalece o posicionamento da locadora.
7. Escala, Crescimento e Sustentabilidade
A precificação intuitiva depende de pessoas-chave e não escala bem. Já a analítica permite:
crescimento com controle,
replicação de decisões corretas,
aprendizado contínuo com dados,
adaptação rápida a mudanças de mercado.
Ela transforma precificação em ativo estratégico da empresa.
8. O Papel da Tecnologia Nesse Processo
A transição para a precificação analítica só é viável com tecnologia. Sistemas especializados permitem integrar custos, capital, uso, risco e mercado em um único modelo.
É nesse contexto que a LocPrice se posiciona: ajudando locadoras a sair da intuição e construir decisões de preço baseadas em dados, consistência financeira e visão de longo prazo.
Intuição Decide no Curto Prazo, Análise Sustenta no Longo Prazo
No mercado de locação de veículos, a diferença entre crescer e crescer com lucro está na forma como o preço é construído. A precificação analítica não elimina a experiência — ela a potencializa com dados, método e visão estratégica.
Locadoras que fazem essa transição ganham clareza, controle e vantagem competitiva. As que não fazem permanecem expostas a riscos que só aparecem quando já é tarde demais.



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